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quinta-feira, 7 de abril de 2011

desencanei de fazer planos


Quando eu era criança, tinha na minha cabeça que iria morar com meus pais até uns 23 anos. Que ficaria na mesma cidade, na mesma escola até o 3º colegial, onde eu estudaria para prestar o vestibular, passaria na Usp, faria a minha faculdade, tiraria carta aos 18 anos. Casaria com uns 24, teria talvez filhos aos 28 anos e moraria com muitos gatos. E mais pra frente seria uma executiva de sucesso.
Uma vida óbvia. E que era praticamente certeza na minha cabeça... como se não existissem outras opções de caminhos a seguir e bem, na maneira como era criada, com o grupo que convivia... Acho que estes eram os planos de quase todas as crianças.

Bom. A realidade: Aos 14 anos, mudei de escola. Aos 15 anos meus pais se separaram. Aos 16, fui morar em Ribeirão Preto, sem meus pais, e claro, mudei de escola de novo. Aos 17 anos, fui pra Araçatuba. Aos 18, não comecei faculdade, não prestei vestibular, não tirei carta. Não tinha grana. Aos 19 fui morar com meu namorado e comecei um curso técnico. Aos 20 arrumei meu primeiro emprego. Aos 21 somente, com o meu salário, tirei minha carta de motorista. Hoje estou prestes a fazer 22. Tenho 2 gatas. E não dirijo.

Foi mais ou menos redigindo esse páragrafo anterior na minha mente pela primeira vez, que desencanei dos planos. Desencanei é a palavra que uso nos dias positivos. Nos negativos, digo que fazer planos dá azar.


E é verdade. Acho que depois de tudo, tenho medo dos planos.


Mas em toda a minha contrariedade do ser e de quem sou... Também temo estar sendo mal agradecida. Afinal, os caminhos que minha vida tomou, foram piores?
É fácil criar histórias, pois tudo está a seu controle. Os personagens, principais e secundários, os figurantes, o clímax, as resoluções... O desfecho. Você nunca estará planejando sua narrativa e de repente, um figurante enlouquecido, vai sacar uma arma, traumatizar seu personagem principal durante anos e fazer com que você mude todo o seu final e rasgue as páginas dos futuros acontecimentos. Não vai.
Mas a vida tem suas histórias, mas não é uma história só. As histórias de milhares de pessoas se mesclam todos os dias. A natureza age. Você não consegue controlar nem o seu próprio personagem. Que irá dizer sobre a sucessão dos fatos?
Acredito no livre arbítrio, mas também, nas escolhas que fazemos antes de vir a Terra. Pelo que queremos, ou melhor, devemos passar?

Cada atalho, retorno, estrada contínua nos levam a lugares, as vezes aos mesmos, por rumos diversos. Mas o que interessa mesmo, é como você vai chegar ali. Quando você olhar no espelho, você verá no reflexo seu, o presente e por trás de você, tudo o que passou.

Não planejo mais, pois planejar frustra, as vezes... Nos faz criar expectativas. Alem disso, podem passar outras oportunidades do seu lado e você não as verá. O que procuro são focos, para acontecimentos atuais.

Ah, tenha apenas uma missão: Ser feliz. E não é só por seu sorriso, não. Mas quando somos felizes, transmitimos felicidade às pessoas que gostamos, toleramos as outras. Contribuímos para a energia positiva do mundo. Se todos se concentrarem apenas em ser felizes...- Continuo tendo sonhos (é inevitável). Sonhos podem se tornar realidade. Quando menos se espera. Walt Disney já dizia...



Nota: Quando eu era criança, queria muito chegar aos 20 anos, pois achava que a vida seria mais fácil, que eu aprenderia a aguentar a dor e a passar pelas dificuldades, saberia tomar decisões...
"Por isso hoje eu me contentaria em saber apenas o que aquela garotinha sonhadora de voz doce e olhar sapeca que um dia fui,
pensa sobre a mulher que me tornei."

sábado, 4 de dezembro de 2010

Senti a dança do ventre


Quando eu era mais novinha e fazia ginástica olímpica, a gente fazia umas apresentações estilo jazz e eu era tão tímida, mas tão tímida que não me soltava e acabava sempre ficando na última fila no canto pq dançava maal, era contida...
Até lembro que levei uma bronca na frente de todo mundo falando que eu dançava igual uma morta e fiquei morrendo de vergonha, eu devia ter uns 11 anos...
Mas depois que saí da ginástica, levei comigo a bronca, que ficou guardada e resolvi que eu não queria nunca mais me sentir "humilhada" de novo. E trabalhei isso. Tímida, continuei sendo, sou.
Mas aprendi que o palco é um mundo paralelo, onde você pode ousar e ser o que quiser e mais ainda, um lugar de liberdade.
Aprendi também, por mim mesma, que é melhor errar com um sorriso no rosto do que fazer tudo certo com a cara amarrada.
E participei de algumas apresentações de colégio, teatros, seminários e decidi que eu realmente gostava de me apresentar...

Alguns anos se passaram e eu cheguei na cidade em que moro hoje. Já chegando, passando de carro, bati o olho numa placa que estava escrito "Aulas de Dança do Ventre" e como um momento, fixou em minha mente... e ficou guardado, mas vivo.
Acabei indo lá com a minha cunhada certo dia... Dança do ventre.. nunca tinha pensado nisso, mas é bonito, né? Tem algo de esotérico...
No começo foi meio complicado, era suuuper travada, quadril, peito, barriga... tem que dividir tudo e eu mal conhecia meu corpo...
Mas fomos ficando e aprendendo e entre nossa turma de iniciantes, até que levávamos um jeitinho.
A primeira vez que apresentei, tinha uns 4 meses de dança só, mas arriscamos... foi gostoso... Depois dançamos no shopping e fomos aceitando dançar em todos os lugares, estávamos muito empolgadas com o desenvolvimento dos nossos passos...

E o conhecimento é parte do aprendizado. Antes de começar eu achava que dança do ventre era só aquilo mesmo e ponto.
Mas há tanta história, tanta tradição... Tantos estilos diferentes... Idéias novas, canções antigas, objetos, significados... é preciso anos e anos pra chegar ao quase domínio de tudo que está envolvido.


Não sou boa. Ainda tenho TANTO pra aprender que não dá nem pra listar... mas já sou apaixonada...
Há momentos em que me sinto uma vassoura de tão dura... tem dias que os braços não erguem, o quadril não treme nem com ab-tronic... acontece.

Mas há dias... em que eu acordo... assisto um vídeo, ouço uma música, bordo um figurino... e aquela essência me domina, a batida sobe no corpo, o violino invade cada curva, o som do derbak... vai baixando a dançarina que existe aqui dentro e dá vontade de dançar, de girar... de tremer, suar...
de sorrir.

Hoje não tenho mais vergonha... muito menos, medo de errar... embalo tudo na expressão, uma dançarina que dança com vontade contagia o mundo...
Eu posso não dominar todas as técnicas, não ter um corpo perfeito, braços delicados... mas tenho essa força no meu coração.
Sei transformar a melancolia em movimento e o movimento em vida.

Eu danço!

Pra assistir : "Tudo o que Lola quer" :: Assisti por esses tempos e reacendeu ainda mais... amei o filme! E já começamos nossa próxima criação...

domingo, 10 de outubro de 2010

Tirei carta!

(bom, a primeira e espero que única né? rs)
Ah, estou tão feliz que precisava passar isso de alguma maneira por aqui... não deixa de ser uma primeira vez né? Afinal, nunca fui habilitada antes ;)
Pra falar a verdade, ainda falta o documento em si chegar... mas eu já passei em tudo o que tinha que passar rs!
E que trampo! desde maio estou correndo atrás disso, quando finalmente arrumei dinheiro pra pagar, aliás, que isso é uma conquista também, pois já tenho 21 anos e nunca tive ninguém que pudesse ter pagado pra mim, por isso acabei esperando, já que a maioria tira logo que faz 18...

Comecei lá atrás... nas aulas teóricas... depois dos exames. As aulas eram em um lugar horrível e nossa, sem querer ser fútil.. haha mas uma gente feeeia... feia de tudo (Ô maldade...), perdi aulas do curso, não tinha nada pra fazer... eram 4 horas de muitooo tédio.
Mas veja como é o destino... em meio a isso conheci 2 amigos tão bacanas...
A Jeh nossa... que sintonia maravilhosa, que pessoa linda... valeu muito a pena tê-la conhecido. Sou grata ao universo quando penso nas pessoas lindas que ele manda para o meu caminho!
(aliás, preciso contar pra ela que passei... e desejar sorte pq ela ainda está fazendo)

E depois disso acabei fazendo a prova teórica junto com a Thaisa (a menina lá do post anterior)... ridícula a prova né gente, quem já fez sabe! rs
E aí demorou... demorou um tempão pra começar, e fui começar logo de moto. Eu, que nem andar de bicicleta direito sei...
Meu instrutor super simples... bonzinho... mal sabia quão chata eu era... Haha... ele disse:
- Querida, você vai ter que andar de bicicleta, pq vc não tem equilíbrio nenhum...

Andei nada! E deu certo.. derrubei um monte de cone, chorei nas últimas aulas pq comecei a

errar tudo..
derrubei a moto, entortei a embreagem... enlouqueci deus e o mundo a semana inteira do meu exame... ninguém queria me ver nem pintada de ouro e prata.
E no dia mesmo... acordei ruim, passei mal de nervoso, surtei... mas quando cheguei no local... acalmei, embora ainda tremesse muito... e aquela respiração ofegante dentro do capacete que embaça tudo... nossa!

E dei a largada... oitinho perfeito, rampa quaaase que não vai - mas foi; oitão: terror - quando fui colocar a segunda, não foi, ficou no neutro, segundos de pânico... acelerei e sei lá como, deu certo; passei pelas balizas e... passei! Chorei de felicidade... de verdade! rs

E esperei um tempão pra comçar as de carro, achei que teria mais facilidade do que com a moto. E comecei, graças a deus com o mesmo instrutor (coitado) e praticamente o obriguei a ficar comigo até o fim... Ele não dava aula pra + ninguém de carro, só pra madame aqui...
Foi tudo em paz, peguei chuva, sol de rachar, tempestade... tudo. e chegou o dia do exame.
Tava morrendo de medo, mas menos nervosa... no dia anterior estava bem ansiosa, mas surpreendi comigo mesma que acordei sexta-feira calma, tranquila e fui... as 8 e meia entrei no carro, fiz as balizas certinho :)

Aí o medo né... pq todo mundo fala que os examinadores são super grosseiros e desumanos... então a gente fica apavorada... Aí logo que parei o carro pra esperar o meu bati o olho num cara grandão, careca e barbudo. Pensei: quero esse.
E o universo me ajudou mais uma vez, pq foi exatamente ele que entrou no meu carro e simpático disse :

- Bom Dia! - e eu sorri. Ele pegou minha ficha e leu o nome do meu pai em voz alta. - Ernst? - Falou certinho... - É alemão?
- Sim :) nossa, vc é uma das primeiras pessoas que pronuncia certo...
- Ah, é que minha mulher se chama "G................................." - (nome super complicado) - Du sprecht deutsche?

Respondi que infelizmente não e aí ele ficou trocando maior idéia comigo sobre coisas relacionadas hehe.
Logo na saída ele perguntou: "Você tá tranquila ou tá nervosa?", respondi que estava tranquila, na medida do possível, pois havia feito tudo certinho nas aulas e ele disse pra eu não me preocupar , pois só me reprovaria com uma falta grave e eu não ia cometer.
E tudo deu certo, parei num pare apagado, mas deu tudo certo.

No final ele disse que só deu uma volta no quarteirão porque respondi lá no começo que estava tranquila, se eu dissesse que estava nervosa ia dar mais uma...

E estacionei.
- Tá aprovada viu?
- Ai, brigada !
- ...Brigada não... Dank!

- rs, Dank!

E saí, toda feliz e saltitante.

Eu dei conta! (em todos os sentidos)
Dank!